Quiça
dentro de cada mulher,
exista
uma encantadora
cinderela
com muitos sonhos,
belos devaneios,
como quem está
sempre à espera...
Lá ao longe,
na estradinha
de terra,
que corta o bosque,
muito florida,
vem um homem,
fascinante,
o príncipe
da sua vida?
A fantasia,
um dia,
tomara conta
do seu ser,
quase encantado,
apaixonado...
Juras de a
ditas na janela,
doces encontros
ao entardecer,
faziam parte
das lembranças dela...
Porém, de repente,
assim como uma nuvem,
uma quimera,
como viera
o ser se foi
pela estrada
florida,
cheia de vida...
E agora,
o que fazer
senão sofrer?
Um amor amigo,
o mais belo,
profundamente terno,
criara muitos laços,
porque muito antigo.
Um vazio imenso,
uma tristeza infinda,
a devora,
(como dói ainda!)
P'ra sarar,
quando sara,
demora...
Ocupara no seu ser
todos os espaços...
Sentia na pele
o calor sublime
do último abraço...
Uma lembrança
dolorida,
provocada
por uma ilusão
enlouquecedora,
arrebatadora,
como é toda paixão...
Tocara,
incendiara,
as cordas sensíveis
do jovem coração...
Perder os sonhos
na juventude,
as fantasias
de cinderela,
(sutis e belas!),
o despir-se
de toda ilusão,
é matar,
com requintes
de crueldade,
o ente criativo
que desponta,
é sufocar
a imaginação...
Não tem perdão!
sexta-feira, 15 de abril de 2011
quinta-feira, 14 de abril de 2011
Matéria publicada no Jornal de Londrina sobre exposição de esculturas
A arte do recomeço Cy Mesquita volta a expor suas obras hoje depois de 18 anos afastada do cenário artistico
É tempo de recomeço, retomar a vida e conhecer-se novamente. A arte, por vezes uma expressão dos sentimentos mais íntimos, tem papel fundamental nesse processo de reencontro. De modo especial na vida da artista plástica Cy Mesquita, que deixou para trás uma depressão que lhe acompanhou durante 18 anos. Agora, a artista voltou a trabalhar em esculturas e pinturas e abre a exposição Resiliências hoje à noite, com uma vernissage às 20 horas na Casa de Cultura José Gonzaga Vieira (av. Higienópolis, 1910). As obras ficam expostas até o dia 25 de abril.
São quase 40 esculturas pequenas que tratam do amor entre casais, entre famílias, além dos amigos. “Gosto muito de falar do amor e também gosto das curvas, algo que seja visualmente agradável e dê vontade de manusear, de tocar”, explica Cy. Sentimentos que por muitos anos estiveram adormecidos. “Tomei medicação durante 18 anos e isso me tirou um pouco fora de órbita. Eu sempre falo que a gente fica na terra dos mortos-vivos. Não há emoções e eu fiquei meio estacionada”, conta.
No ano passado, a médica retirou a medicação da artista, que aos poucos voltou às atividades interrompidas 18 anos atrás. “Eu recomecei. Procurei um curso de cerâmica em setembro do ano passado. Comecei a fazer e me disseram para usar o bronze porque estavam boas. Refiz e passei a resgatar”, diz. Justamente por isso a artista batizou a individual de Resiliências. “Resiliência é isso, é uma volta ao passado”, justifica. A partir de então, Cy retomou muitas coisas que se perderam ao longo destes anos.
Depois de preparar a exposição, a artista saiu para convidar os amigos de antes. “Tive reencontros que estão valendo muito para mim. Estou retomando muitos amigos de 50 anos atrás. Revejo gente e a emoção deles é grande”, diz. Num desses encontros, Cy se deparou com uma amiga que tinha guardado um livro de poesias escrito pelo menos 35 anos antes. “Eu havia rasgado minhas poesias e pedi o livro emprestado para eu ver o que escrevia”, conta.
Para a artista, todo recomeço é difícil, mas ao mesmo tempo é uma época de decisões. Cy conta que o marido teve um Acidente Vascular Cerebral (AVC) há dois anos. Desta forma, houve uma inversão de papéis. Enquanto ela estava doente, dependia do marido. Agora é diferente. “Sou eu quem decido as coisas hoje. É uma experiência única, fascinante. Fico me observando às vezes, em certas reações”, revela. Um pouco de tudo isso está nas esculturas, algumas delas feitas em bronze, mas a maioria produzida em argila e resina.
Anteriormente, a artista já havia exposto esculturas e pinturas em mostras Zumbi dos Palmares e em outras coletivas. Desta vez, porém, é uma individual, e Cy revela estar com um frio na barriga, embora ao mesmo tempo sinta-se em casa. “Sinto que quem vai na exposição são meus amigos. Então parece que estou em casa”, diz.
– Resiliências – Exposição com esculturas de Cy Mesquita na Casa de Cultura José Gonzaga Vieira (av. Higienópolis, 1910). Abertura hoje, às 20 horas. Grátis.
Igapó tornou-se um velho novo amigo
É uma correria. Tem gente andando, tem gente correndo. Outros mais apressadinhos passam voando de bicicleta. Nesse tempo de recomeço, de resgate, um dos grandes reencontros que Cy Mesquita teve foi com seu antigo amigo, o Lago Igapó. Desde muito tempo ela não apreciava a paisagem, não visitava o amigo, nem caminhava por ele. “Ontem [domingo] estive lá. Foi um êxtase caminhar pelo lago. Rever, apreciar. É um resgate de mim mesma”, destaca.
A próxima exposição certamente será sobre este novo velho amigo. “Tenho umas oito telas em óleo prontas sobre o lago. E pretendo fazer uma exposição somente sobre este tema”, revela. Embora esteja com todo o pique, Cy avisa que os amigos precisam de paciência. “Estou retornando e as telas podem não estar muito boas”, brinca. Mesmo assim, garante ser muito bom voltar.
_______________________________________________________________________________
veja matéria na íntegra:
http://www.jornaldelondrina.com.br/divirtase/conteudo.phtml?tl=1&id=1115434&tit=A-arte-do-recomeco
É tempo de recomeço, retomar a vida e conhecer-se novamente. A arte, por vezes uma expressão dos sentimentos mais íntimos, tem papel fundamental nesse processo de reencontro. De modo especial na vida da artista plástica Cy Mesquita, que deixou para trás uma depressão que lhe acompanhou durante 18 anos. Agora, a artista voltou a trabalhar em esculturas e pinturas e abre a exposição Resiliências hoje à noite, com uma vernissage às 20 horas na Casa de Cultura José Gonzaga Vieira (av. Higienópolis, 1910). As obras ficam expostas até o dia 25 de abril.
São quase 40 esculturas pequenas que tratam do amor entre casais, entre famílias, além dos amigos. “Gosto muito de falar do amor e também gosto das curvas, algo que seja visualmente agradável e dê vontade de manusear, de tocar”, explica Cy. Sentimentos que por muitos anos estiveram adormecidos. “Tomei medicação durante 18 anos e isso me tirou um pouco fora de órbita. Eu sempre falo que a gente fica na terra dos mortos-vivos. Não há emoções e eu fiquei meio estacionada”, conta.
No ano passado, a médica retirou a medicação da artista, que aos poucos voltou às atividades interrompidas 18 anos atrás. “Eu recomecei. Procurei um curso de cerâmica em setembro do ano passado. Comecei a fazer e me disseram para usar o bronze porque estavam boas. Refiz e passei a resgatar”, diz. Justamente por isso a artista batizou a individual de Resiliências. “Resiliência é isso, é uma volta ao passado”, justifica. A partir de então, Cy retomou muitas coisas que se perderam ao longo destes anos.
Depois de preparar a exposição, a artista saiu para convidar os amigos de antes. “Tive reencontros que estão valendo muito para mim. Estou retomando muitos amigos de 50 anos atrás. Revejo gente e a emoção deles é grande”, diz. Num desses encontros, Cy se deparou com uma amiga que tinha guardado um livro de poesias escrito pelo menos 35 anos antes. “Eu havia rasgado minhas poesias e pedi o livro emprestado para eu ver o que escrevia”, conta.
Para a artista, todo recomeço é difícil, mas ao mesmo tempo é uma época de decisões. Cy conta que o marido teve um Acidente Vascular Cerebral (AVC) há dois anos. Desta forma, houve uma inversão de papéis. Enquanto ela estava doente, dependia do marido. Agora é diferente. “Sou eu quem decido as coisas hoje. É uma experiência única, fascinante. Fico me observando às vezes, em certas reações”, revela. Um pouco de tudo isso está nas esculturas, algumas delas feitas em bronze, mas a maioria produzida em argila e resina.
Anteriormente, a artista já havia exposto esculturas e pinturas em mostras Zumbi dos Palmares e em outras coletivas. Desta vez, porém, é uma individual, e Cy revela estar com um frio na barriga, embora ao mesmo tempo sinta-se em casa. “Sinto que quem vai na exposição são meus amigos. Então parece que estou em casa”, diz.
– Resiliências – Exposição com esculturas de Cy Mesquita na Casa de Cultura José Gonzaga Vieira (av. Higienópolis, 1910). Abertura hoje, às 20 horas. Grátis.
Igapó tornou-se um velho novo amigo
É uma correria. Tem gente andando, tem gente correndo. Outros mais apressadinhos passam voando de bicicleta. Nesse tempo de recomeço, de resgate, um dos grandes reencontros que Cy Mesquita teve foi com seu antigo amigo, o Lago Igapó. Desde muito tempo ela não apreciava a paisagem, não visitava o amigo, nem caminhava por ele. “Ontem [domingo] estive lá. Foi um êxtase caminhar pelo lago. Rever, apreciar. É um resgate de mim mesma”, destaca.
A próxima exposição certamente será sobre este novo velho amigo. “Tenho umas oito telas em óleo prontas sobre o lago. E pretendo fazer uma exposição somente sobre este tema”, revela. Embora esteja com todo o pique, Cy avisa que os amigos precisam de paciência. “Estou retornando e as telas podem não estar muito boas”, brinca. Mesmo assim, garante ser muito bom voltar.
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veja matéria na íntegra:
http://www.jornaldelondrina.com.br/divirtase/conteudo.phtml?tl=1&id=1115434&tit=A-arte-do-recomeco
Jesus
Te encontro
quando examino
uma folha
verde,
ou na beleza
da cor
de cada flor,
no canto
dos pássaros
na madrugada,
ainda gelada,
no sorrir
de uma criança
(quanta esperança!)...
Tudo me fala,
exala,
o teu Amor!
quando examino
uma folha
verde,
ou na beleza
da cor
de cada flor,
no canto
dos pássaros
na madrugada,
ainda gelada,
no sorrir
de uma criança
(quanta esperança!)...
Tudo me fala,
exala,
o teu Amor!
quarta-feira, 13 de abril de 2011
Uma cena...
Uma lua cheia,
enorme,
amarela,
com sua luz,
puro romance,
invadindo,
penetrando,
pela janela,
nesse mundo
pequenino,
puro aconchego,
(que chamego!),
que era só dela...
enorme,
amarela,
com sua luz,
puro romance,
invadindo,
penetrando,
pela janela,
nesse mundo
pequenino,
puro aconchego,
(que chamego!),
que era só dela...
solidão cósmica
Quando nasci,
largada,
jogada aqui,
em solidão
cósmica,
única,
num universo,
ou seu reverso?
Consciência
brutal,
indescritível,
de um existir
à revelia...
Sei que
respiro
e penso,
por isso
existo?
Atuo,
ínfimo ser,
quase nada,
neste palco
diminuto...
Cada minuto
que passa,
é um a menos,
a encurtar
minha jornada...
Sentimento
atroz
o ignorar,
o não saber,
o não pertencer!
Sinto,
nas entranhas,
sede tamanha,
necessidade
de crer,
do pertencer
ao Teu Ser!
largada,
jogada aqui,
em solidão
cósmica,
única,
num universo,
ou seu reverso?
Consciência
brutal,
indescritível,
de um existir
à revelia...
Sei que
respiro
e penso,
por isso
existo?
Atuo,
ínfimo ser,
quase nada,
neste palco
diminuto...
Cada minuto
que passa,
é um a menos,
a encurtar
minha jornada...
Sentimento
atroz
o ignorar,
o não saber,
o não pertencer!
Sinto,
nas entranhas,
sede tamanha,
necessidade
de crer,
do pertencer
ao Teu Ser!
terça-feira, 12 de abril de 2011
Uma overdose
de emoções
seu ser invade...
Mais um momento
único,
impar,
de felicidade!
Como agradecer,
por trazer
este fio
tênue
de lembranças
inesquecíveis,
irresistíveis?
Meu ser
se perde
nas suas alamedas,
nas ruas estreitas,
ou por vielas,
já esquecidas...
É bom
o caminhar
descalça,
sorvendo
cada emoção
mais violenta...
O coração doe,
não aguenta...
Nasci para ir
dos píncaros
do Himalaia,
às profundezas
de um abismo
tenebroso,
sem ter medo
de me perder,
e bater
nos rochedos,
jogada
pelas ondas
de um mar
tempestuoso...
Quando um dia,
ao findar da lida,
juntando os cacos,
acariciar,
suavemente,
as cicatrizes,
ou vivas feridas,
direi baixinho,
para mim mesma,
como consolo,
na última cena:
"valeu a pena!"
de emoções
seu ser invade...
Mais um momento
único,
impar,
de felicidade!
Como agradecer,
por trazer
este fio
tênue
de lembranças
inesquecíveis,
irresistíveis?
Meu ser
se perde
nas suas alamedas,
nas ruas estreitas,
ou por vielas,
já esquecidas...
É bom
o caminhar
descalça,
sorvendo
cada emoção
mais violenta...
O coração doe,
não aguenta...
Nasci para ir
dos píncaros
do Himalaia,
às profundezas
de um abismo
tenebroso,
sem ter medo
de me perder,
e bater
nos rochedos,
jogada
pelas ondas
de um mar
tempestuoso...
Quando um dia,
ao findar da lida,
juntando os cacos,
acariciar,
suavemente,
as cicatrizes,
ou vivas feridas,
direi baixinho,
para mim mesma,
como consolo,
na última cena:
"valeu a pena!"
sábado, 9 de abril de 2011
Ao meu novo velho amigo...
Quanto tempo faz?
Foi numa tarde
de agosto
ou setembro,
já nem me lembro...
Só sei que foi
mais um suave
encontro,
quando a gente
se rasga,
se entrega
e se ama tanto...
Contei-te,
sofregamente,
os meus segredos,
falei
dos meus medos...
Acariciaste
os meus cabelos
com tua brisa
muito leve...
Foi um longo
roçar,
ou muito breve?
Estavas tão belo!
Águas tintas
de amarelo,
o veludo
do teu verde,
convidava-me
a bailar,
a deitar,
tamanha
a tua formosura!
Doce ventura...
Depois
de um tempo
imenso,
vagando
no mundo
pavoroso,
do não sentir,
dos mortos-vivos,
eis-me aqui,
outra vez,
me atraiste
eternamente,
perenamente,
temos juntos
um longo enredo,
e ao visitar
os teus recônditos
mais belos,
que reservas
só p'ra mim,
e que escondes
de quem só vem
p'ra caminhar
ou velejar,
te amo assim...
Velho novo amigo,
te quero
perdidamente,
nada, agora,
me abate...
Principio,
neste dia,
o teu resgate...
Antes,
que ao findar
o dia,
a revelia,
chegada
a hora
da despedida,
tristemente,
de ti me afaste...
Foi numa tarde
de agosto
ou setembro,
já nem me lembro...
Só sei que foi
mais um suave
encontro,
quando a gente
se rasga,
se entrega
e se ama tanto...
Contei-te,
sofregamente,
os meus segredos,
falei
dos meus medos...
Acariciaste
os meus cabelos
com tua brisa
muito leve...
Foi um longo
roçar,
ou muito breve?
Estavas tão belo!
Águas tintas
de amarelo,
o veludo
do teu verde,
convidava-me
a bailar,
a deitar,
tamanha
a tua formosura!
Doce ventura...
Depois
de um tempo
imenso,
vagando
no mundo
pavoroso,
do não sentir,
dos mortos-vivos,
eis-me aqui,
outra vez,
me atraiste
eternamente,
perenamente,
temos juntos
um longo enredo,
e ao visitar
os teus recônditos
mais belos,
que reservas
só p'ra mim,
e que escondes
de quem só vem
p'ra caminhar
ou velejar,
te amo assim...
Velho novo amigo,
te quero
perdidamente,
nada, agora,
me abate...
Principio,
neste dia,
o teu resgate...
Antes,
que ao findar
o dia,
a revelia,
chegada
a hora
da despedida,
tristemente,
de ti me afaste...
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